VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO NESSA AVENTURA!

Expedição ao Pico da Neblina

“E agora?” “Pra onde ir?”. Foi o que pensamos quando nossa equipe retornou do Jalapão em 2007. Depois de tanta beleza vista no Cerrado, parecia-nos impossível encontrar algo que pudesse nos animar a organizar uma Expedição.

Em meados de 2008 o Francis me falou que poderíamos subir a montanha mais alta do Brasil, num mega-esquema que poucos haviam tentado: Parque Nacional fechado, área de conflitos, índios, garimpeiros, divisa com a Venezuela… tudo soava meio assustador. Mas a idéia da superação de tanta dificuldade ficou batendo em nossas cabeças, até que no final de 2008, decidimos: iríamos ao Pico da Neblina!

Foram oito meses de planejamento e jamais imaginávamos o quão emocionante seria.
Tudo foi muito intenso, desde o reconhecimento da cidade de São Gabriel da Cachoeira no primeiro dia, passando pela convivência com os Yanomamis e chegando à conquista da montanha.

Lembro de toda preparação feita ainda em São José dos Campos: avaliação física, consulta com nutricionista, exercícios muito bem orientados na academia. E penso no que seria de mim se não conseguisse alcançar os quase 3000 metros de altitude. O que faria ali, no meio do caminho, enfrentando um frio quase insuportável sabendo que o retorno aconteceria somente no dia seguinte? Não há opções. A única é mesmo subir com todo o grupo e por isso nos preparamos tanto.

Este é o relato do nosso último dia antes de alcançarmos o topo do Brasil, na Expedição Pico da Neblina 2009 por Valdinei Costa.
A cortina de neblina não nos deixa ver nada, a não ser os colegas logo à frente. É fácil entender o nome da montanha.

Neste momento tento não me lembrar os causos contados pela equipe de apoio, avisando que muitos ficaram pelo caminho, inclusive alguns do Exército, que tantas vezes já fez este percurso. Prefiro não acreditar que poderíamos fracassar, como já aconteceu com tantos.

E tocamos subindo. Num determinado local o Marcelo avisa que pararíamos ali. Além de ser o último ponto com água disponível para enchermos nossos cantis, precisaríamos aguardar o segundo pelotão de nossa equipe, que vinha logo atrás, pois a orientação da trilha ficaria cada vez mais difícil em função da pouca visibilidade. E isto significaria correr riscos desnecessários. E aí sentimos frio de verdade: com a parada o corpo sentiu o vento gelado nas costas, depois de retirada a mochila. Depois de uns 30 minutos, o segundo pelotão surge em meio ao branco da serração.Todos param e procuram algo para comer.

Todos recompostos. Voltamos à subida. E haja subida! As horas vão passando e entre um esforço aqui e outro ali, levantei minha cabeça, num daqueles momentos em que você acredita que verá algo diferente. E vi! Vi logo acima uma bandeira do Brasil, a menos de 10 metros acima de mim, em meio a tanta neblina! Estávamos no topo, no cume da mais alta montanha do Brasil! Estes últimos metros fiz correndo (não sei onde arranjei forças) e comemoramos muito lá em cima! Era inacreditável, mas estávamos no ponto mais alto da montanha mais difícil que subi até hoje: o Pico da Neblina!

Ainda eufóricos, nos abraçamos muito e fizemos muitas fotos. O Francis e o Marcus gravaram alguns depoimentos. O Marcelo saca uma garrafa de Whisky e o carioca um charuto (!). Neste momento de comemoração, tudo é válido, tudo é festa.

Para surpresa geral, de repente o céu começou a abrir bem à nossa frente, mostrando toda a beleza da floresta amazônica. Fotos, filmagens – foi uma correria só. Mas valeu muito. O lugar revelou toda sua beleza.

Aos que desejarem se aventurar pela mesma trilha, enfrentando lama, barcos apertados, insetos, calor e frio em excesso, dores, marimbondos, cansaço, buscando um sonho que só os montanhistas entendem, devo dizer: vá! Afinal, jamais poderíamos convencê-los de que tudo isto foi tão grandioso se vocês não forem lá para sentir também o que é esta aventura, na maior floresta tropical do mundo, a Amazônia.

Integrantes da equipe:

  • Valdinei Costa – Eng. Ambiental – São José dos Campos/SP
  • Humberto Machado – Eng. Mecânico – São José dos Campos/SP
  • Francis Maglia – Eng. Mecânico – Rio de Janeiro/RJ
  • Raquel Miranda – Enga. Mecânica – Rio de Janeiro/RJ
  • Marcus Maglia – Filósofo – Florianópolis/SC
  • Carol Heringer – Médica – São Gabriel da Cachoeira/AM
  • Carole Ruffinen – Farmacêutica – Manaus/AM

Contatos do autor:
valcosta2010@gmail.com
Conheça o bolg do Valdinei Costa

Informações Técnicas
O Pico da Neblina com 2994 metros de altitude é o ponto culminante do nosso país e também está inserido num dos maiores parques do Brasil, o Parque Nacional do Pico da Neblina, localizado próximo à fronteira com a Venezuela, no município de São Gabriel da Cachoeira, no norte do estado do Amazonas, com cerca de 2.200.000 ha de área. O Parque foi criado em 1979, tendo como objetivo preservar a riqueza natural intocada da região, além de proteger uma amostra representativa do ecossistema amazônico. O nome Pico da Neblina deve-se ao fato do mesmo se encontrar praticamente o ano todo coberto de nuvens. A trilha exige um esforço físico grande, além de um bom preparo psicológico. É necessária experiência anterior em viagens deste gênero, o condicionamento físico deve ser muito bom e a disposição altíssima.Imagem de Amostra do You Tube

Seguem algumas etapas que podem variar dependendo do desempenho da equipe:
1° Dia: Embarque com destino a Manaus. Na chegada, novo vôo até São Gabriel da Cachoeira. Primeira noite em São Gabriel.

2º Dia: Aproximadamente 5 horas de viagem de carro 4 x 4 por estrada sem pavimentação até a comunidade Ya-mirim, daí são mais 5 horas em canoas “voadeiras” em direção ao rio Cauaburis onde acontece o primeiro acampamento.

3º Dia: Saída bem cedo em direção à Boca do Tucano (aproximadamente 6 horas de navegação) onde, no dia seguinte, começa a caminhada de 3 a 4 horas pela trilha em direção ao Bebedouro Velho, onde acampamos.

4º Dia: Trilha de 5 horas de caminhada com alto grau de dificuldade chegando até o Bebedouro Novo onde novamente deve ser montado o acampamento.

5º Dia: Seguir a trilha durante todo o dia já com temperaturas amenas até o Acampamento Base, num trecho com alto grau de dificuldade, devido à lama intensa.

6º Dia: Caminhada em trilha alagada, com subidas íngremes e locais onde é fundamental o auxílio de cordas. Tempo estimado de caminhada em torno de 7 horas dependendo do rendimento de cada equipe. Já à noite o acampamento será no cume Pico da Neblina.

7º Dia: Inicia-se o retorno que levará de 4 a 5 dias, passando pelos mesmos locais onde foram feitos os acampamentos da ida.

Fotos Tirada por Valdinei Costa duranta a expedição

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